Artigos·Hiperidrose

Tratamento para hiperidrose

O que é o suor excessivo, como é feito o diagnóstico e quais são os tratamentos clínicos e cirúrgicos.

A sudorese é a produção de suor pelas glândulas sudoríparas para manter a temperatura do corpo em níveis normais quando há calor em excesso, como em dias quentes ou durante exercícios físicos. É uma resposta fisiológica normal e esperada. Quando o suor aparece de forma excessiva e desproporcional ao estímulo, por exemplo em dias frios ou em situações de estresse ou timidez, chamamos de hiperidrose.

Primária ou secundária

A hiperidrose pode ser primária (idiopática, sem causa definida) ou secundária (com causa definida).

A hiperidrose primária geralmente começa na infância e se acentua na puberdade. Ocorre igualmente em homens e mulheres e costuma se localizar nas mãos, nos pés e nas axilas, com menor frequência no rosto.

Na hiperidrose secundária, o suor aparece por causa de uma doença de base, como obesidade, tuberculose ou hipertireoidismo, e costuma ser generalizado. O tratamento da doença de base tende a resolver a hiperidrose secundária.

Uma doença que limita a vida social

A hiperidrose prejudica de forma importante as interações sociais e as atividades de trabalho. Costumo dizer aos pacientes que ela é uma doença socialmente limitante. Em crianças e adolescentes, pode atrapalhar também o aprendizado: o suor borra cadernos e livros, dificulta o uso do computador, inibe a relação com os colegas e atrapalha a prática de esportes. A umidade em excesso ainda pode provocar maceração da pele e infecções secundárias.

Como é feito o diagnóstico

Para diagnosticar a hiperidrose primária, observamos:

  • suor em excesso, visível e localizado;
  • ausência de causas secundárias;
  • duração maior que 6 meses;
  • história na família;
  • início dos sintomas antes dos 25 anos.

Tratamentos clínicos

As opções variam conforme o local do suor e as condições de cada paciente. É muito importante conversar com o seu cirurgião torácico para esclarecer todas as possibilidades.

  • Medicamentos por via oral: alguns remédios da classe dos anticolinérgicos diminuem o suor no corpo todo. Por causa dos efeitos colaterais frequentes, são reservados aos casos que não respondem a outros tratamentos.
  • Medicamentos tópicos: em geral, desodorantes com cloreto de alumínio. Ajudam apenas nos casos leves, sobretudo nas axilas, e o efeito dura pouco.
  • Iontoforese: passagem de uma corrente elétrica leve pela pele submersa em água, que bloqueia temporariamente as glândulas sudoríparas. Serve apenas para mãos e pés, pode irritar a pele e precisa de aplicações frequentes. Não é indicada para gestantes, pessoas com epilepsia, marca-passo ou implantes metálicos, incluindo DIU de cobre.
  • Toxina botulínica: injetada na pele, bloqueia os nervos que estimulam as glândulas sudoríparas. Costuma ser dolorosa e por isso é usada principalmente nas axilas. O resultado é bom, mas temporário, com duas a três aplicações por ano, e o custo é elevado.
  • miraDry: tecnologia que usa ondas eletromagnéticas para destruir as glândulas sudoríparas pelo calor, com anestesia local. É restrita à hiperidrose das axilas e tem custo elevado.

Tratamentos cirúrgicos

  • Curetagem ou lipoaspiração axilar: pouco utilizada, com resultados controversos. A cicatrização pode limitar o movimento do braço ou deixar alterações indesejadas.
  • Simpatectomia torácica por vídeo: é o procedimento de escolha para a hiperidrose das mãos. É indicada também quando o suor envolve mãos e pés, mãos e axilas, ou o rosto e o couro cabeludo. Pode ser usada na hiperidrose das axilas isolada, com bons resultados, porém inferiores aos das mãos. Não é indicada para a hiperidrose apenas dos pés.

Como é a simpatectomia

A cirurgia é feita sob anestesia geral. Por duas pequenas incisões na axila, são introduzidos uma câmera de vídeo e o instrumento que interrompe a cadeia simpática, o conjunto de nervos que comanda o suor. O mesmo é feito do outro lado. O procedimento dura cerca de 40 minutos, e a alta costuma acontecer entre 12 e 24 horas depois.

A interrupção do nervo pode ser feita por corte ou por clipes cirúrgicos. Não existe consenso sobre o melhor nível para o bloqueio, e a escolha busca o equilíbrio entre eficácia e efeitos colaterais. Os níveis que costumo usar são:

Nível (costela)Indicação
R3 e R4Hiperidrose do rosto e do couro cabeludo
R4 e R5Hiperidrose das mãos
R4, R5 e R6Hiperidrose das axilas

Possíveis complicações

As complicações são esclarecidas na consulta. Estas podem ocorrer mesmo em cirurgias bem-sucedidas:

  • Dor no tórax: de intensidade variável, controlada com analgésicos comuns. A dor crônica não é comum.
  • Sangramento (hemotórax): incomum. Às vezes só é percebido depois da cirurgia e, eventualmente, exige nova operação.
  • Pneumotórax: ar entre o pulmão e a parede do tórax. É raro e, em geral, tratado sem dreno.
  • Quilotórax: muito raro, por lesão do ducto torácico.
  • Suor fantasma: nos primeiros dias, a sensação de que a mão vai suar, mesmo seca. Costuma passar na primeira semana.

Complicações tardias

Sudorese compensatória: é o aumento do suor em outras partes do corpo, como tronco, abdome, costas, coxas e pernas. É a complicação mais temida e a principal causa de insatisfação com a cirurgia. Sua frequência varia muito entre os estudos, porque nem todos os autores a definem da mesma forma. Nas formas leves e moderadas, costuma ser bem tolerada; em alguns casos, pode ser intensa. Não existe tratamento totalmente eficaz para ela. Alguns remédios anticolinérgicos, como a oxibutinina, podem ajudar quem tolera os efeitos colaterais.

Sudorese gustatória: suor no rosto ao comer. Pouco descrita na literatura.

Recorrência: pouco frequente, em geral nos primeiros meses, por interrupção parcial do nervo ou regeneração.

Mãos muito secas: algumas pessoas ficam com as mãos secas demais, o que costuma ser resolvido com creme hidratante.

Entender as vantagens e as complicações da cirurgia é tão importante que entrego a quem vai operar uma cópia do termo de consentimento da simpatectomia. A pessoa lê em casa, tira as dúvidas pessoalmente comigo e leva o termo assinado no dia da cirurgia.

Este texto é informativo e não substitui a consulta médica.

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