Em 1897, Gustav Killian, considerado o pai da broncoscopia, retirou um corpo estranho do brônquio de um paciente. Na década de 1960, o japonês Shigeto Ikeda desenvolveu o broncoscópio flexível, pensando no diagnóstico precoce do câncer de pulmão. Desde então, o aparelho evoluiu muito, com menos riscos e mais qualidade. Hoje, a maioria das broncoscopias é feita sem internação, com anestesia local e, quando necessário, sedação.
Existem a broncoscopia flexível e a broncoscopia rígida, cada uma com as suas indicações. O exame é parte da prática diária do cirurgião torácico e ajuda no diagnóstico e no tratamento das doenças das vias aéreas.
A maioria dos exames é feita com o aparelho flexível. A broncoscopia rígida tem indicações precisas, a maior parte delas de tratamento, como a retirada de corpos estranhos, a dilatação de estreitamentos da traqueia e a colocação de próteses. O seu alcance é menor que o da flexível.
Quando a broncoscopia é indicada
Cada caso deve ser estudado em detalhe. Algumas situações em que o exame pode ser indicado:
- rouquidão (disfonia);
- escarro com sangue (hemoptise);
- tosse crônica;
- diagnóstico e estadiamento do câncer de pulmão;
- estadiamento do câncer de esôfago;
- doença pulmonar difusa;
- pneumonia que não melhora ou que volta;
- atelectasia;
- retirada de corpo estranho;
- avaliação para retirada da cânula de traqueostomia;
- estreitamento das vias aéreas;
- abscesso pulmonar;
- fístulas;
- auxílio em intubações difíceis.
O exame é feito em uma sala própria para broncoscopia ou no bloco cirúrgico, com condições seguras para que a maior parte das broncoscopias flexíveis dispense internação.
Como se preparar
- Jejum de 8 horas para alimentos sólidos e de 4 horas para líquidos claros.
- Leve todos os exames anteriores, principalmente radiografias e tomografias.
- Vá acompanhado de um adulto responsável: durante o exame podem ser usados remédios que dão sono, e você não deve dirigir nem voltar sozinho para casa.
- Leve documento de identidade, a carteirinha do convênio e a guia autorizada, se houver.
Observações importantes
- Informe ao seu médico os remédios que você usa, principalmente anticoagulantes e antiagregantes, como varfarina, clopidogrel e ácido acetilsalicílico (AAS).
- Chegue de meia hora a uma hora antes do horário marcado.
- Você poderá comer depois do exame, quando estiver bem acordado e andando sem ajuda.
- Evite bebidas alcoólicas nas 24 horas seguintes.
- Pode haver febre depois do exame, o que não significa infecção. Use o antitérmico que o seu médico orientar e entre em contato com ele.
- Quando são feitas biópsias, pode aparecer escarro com sangue, primeiro vivo e depois mais escuro. Isso é esperado.
O que pode ser feito durante o exame
Os procedimentos dependem do local e do tipo de lesão. Diante de uma lesão suspeita dentro do brônquio, são feitas várias biópsias. Quando o exame é normal, há outros recursos, como o lavado broncoalveolar, em que soro fisiológico é injetado e aspirado em um segmento do pulmão, e o material é enviado para análise. Também podem ser feitos biópsia transbrônquica, punção com agulha de linfonodos ou massas próximas aos brônquios, escovado e aspirado brônquico.
Riscos
As contraindicações são, na maioria, relativas e podem ser contornadas. O risco é maior em pessoas com enfisema, DPOC, asma grave, arritmias, angina instável e algumas outras condições. Nesses casos, o exame deve ser feito no centro cirúrgico ou no CTI, com o apoio de um anestesiologista.
As complicações graves são raras. As mais temidas são a queda de oxigênio no sangue, o sangramento, a perfuração das vias aéreas e o pneumotórax.
Este texto é informativo e não substitui a consulta médica.
